quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

APRESENTAÇÃO


A comunicação (como procedimento de inteiração humana) é o principal fundamento do processo educativo. No entanto, ainda que a produção radiofônica, na perspectiva da educomunicação[1], continue a ser um desafio aos profissionais atuantes nas áreas de educação e comunicação[2], observamos com satisfação o avanço deste campo de intervenção social, que busca aliar a comunicação à educação e à participação, para constituir-se como estratégia capaz de fundamentar práticas de uma formação cidadã.
O Projeto Rádiojornal Escolar Curto–Circuito entende que a escola, como um espaço complexo de comunicações, deve oferecer suporte teórico-metodológico, que permita aos alunos compreenderem a importância da ação comunicativa para o convívio social e para a produção do conhecimento[3].
Neste sentido, a escola já não pode mais desconsiderar ou ignorar a onipresença das mídias no cotidiano do educando. Mas, ao contrário disso, ela deve se tornar dinâmica e avançar na utilização das tecnologias da informação e comunicação (TIC’s), privilegiando atividades significativas para os estudantes. Esta nova escola não pode se limitar à dimensão dos conteúdos, deve ir além e transmitir e vivenciar valores, por meio de práticas educativas e estar presente na vida dos alunos, de forma construtiva, emancipadora e solidária; buscando “criar espaços para que o aluno possa compreender ele próprio na construção do seu ser, ou seja, a realização de suas potencialidades em termos pessoais e sociais” (COSTA, 2000). Desta forma, a escola deve ir além e a partir de uma perspectiva dialética, deve denunciar, mas também anunciar o uso dos meios como metodologia participativa na construção de conhecimentos, e resposta social à presença massiva da mídia em nossas vidas, como garantia da visibilidade da cultura popular e como garantia de vez e voz aos grupos que não têm acesso à produção nos moldes da indústria cultural.
Objetivamos contribuir para a formação cidadã e capacitação técnica de crianças e adolescentes da rede pública de ensino do estado do Pará, por meio de estratégias de comunicação e de processos participativos. Propomos, assim, a construção de ecossistemas comunicativos abertos, dialógicos e criativos, quebrando a hierarquia na distribuição do saber, justamente pelo reconhecimento de que todas as pessoas envolvidas no fluxo da informação são produtoras de cultura, independentemente de sua função operacional no ambiente de ensino. Sabemos, ainda que intrincada e abrangente em sua concepção, esta idéia deverá ser introduzida a partir das condições específicas que caracterizam os diferentes ambientes de ensino e, especialmente, a partir das alianças possíveis de serem feitas entre outros agentes sociais que atuam neste espaço - visto que, o ecossistema comunicativo (no sentido de rede social) estará sempre, e necessariamente, em construção e o seu aperfeiçoamento dependerá sempre da forma como o tema é introduzido.
[1] A educomunicação é um campo de intervenção social que propicia a introdução de recursos da informação no ensino, não apenas didáticos (tecnologias educativas), ou como objeto de análise (leitura crítica dos meios), mas principalmente como meio de expressão e de produção cultural, permitindo desenvolvimento de ecossistemas comunicativos abertos à participação de todos.

[2] Observamos que a inter-relação entre a comunicação e a educação permite desenvolver e aprimorar metodologias de uso das tecnologias da informação e da comunicação nos processos educativos, assim como estimular crianças, adolescentes e educadores utilizarem a mídia como instrumento de mobilização e crítica social. Diversos processos de educomunicação já estão sendo difundidos, no Brasil, por instituições de ensino e pesquisa, iniciativas da sociedade civil e órgãos governamentais. O objetivo principal dessas atividades é contribuir significativamente no processo de construção da cidadania, do exercício de direitos e deveres e de uma sociedade mais justa – a partir do exercício do direito à expressão e à comunicação. Fonte: Mídia & Educação – comunicação responsável para promoção de cidadania.

[3] Sobre esta questão, vale ressaltar, que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9.394/86, as Diretrizes Curriculares e os Novos Parâmetros Curriculares Nacionais já incluem os meios de comunicação social no espaço escolar, propondo ao educador trabalhá-los interdisciplinarmente.

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